1ª entrevista exclusiva com
Fernando Collor de Mello como Senador da República,
concedida para o "Congresso em Foco" no dia de sua posse
15-03-2007, onde fez seu primeiro discurso no Senado.
Prestes a lançar proposta de reforma política,
ex-presidente faz autocrítica, defende parlamentarismo e
fala sobre o impeachment e traição na política. -
Confira a entrevista de Collor: Afastado da vida pública
há 15 anos e do Congresso há 25 anos, imagine o quanto
não terei que aprender para poder, efetivamente, estar
com um instrumental necessário para colaborar com a
discussão e o debate dos temas que interessam à vida
nacional. Meu desejo é, durante esses oito anos de
mandato como senador da República, poder oferecer um
projeto que pretendo apresentar em breve, de uma reforma
política ampla, profunda, porque entendo que a reforma
política seja a mãe de todas as reformas. Pretendo
apresentá-la dentro de mais uns 20 dias ao Congresso
Nacional. E, ao mesmo tempo, aprender, porque nesta Casa
se aprende muito. - A reforma política e o
parlamentarismo Sou daqueles que acreditam firmemente
que somente o parlamentarismo poderia pôr fim a essas
crises recorrentes de governabilidade que nós
enfrentamos em todos os governos republicanos dentro do
sistema presidencialista. A partir daí, e dentro dessa
proposta de mudança do sistema de governo, nós teríamos
também a questão da fidelidade partidária, do
financiamento público de campanha, a questão da não
obrigatoriedade do voto, a questão da obrigatoriedade
dos partidos políticos terem dentro de seu organismo
cursos de formação de quadros partidários, para aqueles
filiados que eventualmente venham a ser candidatos,
possam já ter uma base do que significa fazer política,
ser político, e também saber o que defende o seu
partido, qual o seu programa, qual o seu ideário. E vale
a introdução do voto distrital para a melhor
qualificação da representação parlamentar. Enfim, são
vários pontos que comporão esse projeto amplo de reforma
política que me referi. - A dificuldade para a reforma
política A grande dificuldade é que, a reforma política,
para que ela seja feita, para que ela seja aprovada,
depende exatamente do Congresso. Depende dos deputados e
dos senhores senadores. É necessário haver muito
altruísmo; muito espírito de renúncia e muita capacidade
de vislumbrar um futuro de aperfeiçoamento político para
que se aprove reformas como essas. Mas, temos que
tentar. Vamos continuar tentando até que finalmente haja
possibilidade. Quem sabe, ainda neste ano, tenhamos um
grande avanço nesta proposta de reforma política. -
Impeachment "Os erros foram, em primeiro lugar, um
extremo voluntarismo de minha parte, de acreditar que
pudesse mudar o Brasil do dia para a noite. Que poderia
enfrentar a tudo e a todos e teria condições de arrochar
com as conseqüências sem qualquer tipo de problemas. A
pouca consideração que dei ao Congresso Nacional foi um
segundo grande erro. Enfim, esses erros fizerem com que
minha Presidência ficasse fragilizada e redundasse no
meu afastamento da Presidência da República. A gente só
aprende, só ganha experiência com o sofrimento. Essa é a
grande escola que nos torna mais maduros, com maior
experiência, e, portanto, seres humanos melhores. Se nós
soubermos tirar proveito dos erros cometidos, aprendendo
as lições que esses erros e sofrimento nos traz. -
Traição e política Traição faz parte da política. Não
existe o exercício da política sem que junto não
caminhem as traições. Infelizmente, isso acontece
amiúde. As traições trazem, claro, decepções. Mas, desde
que você tenha isso como algo que sempre acontece, você
deixa isso, delata isso, coloca de lado, de modo que
essas decepções não tomem conta de você. A melhor coisa
é simplesmente esquecer, passar a página, e continuar
olhando para a frente,
caminhando.